quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

NATAL... QUAL O SEU SENTIDO AFINAL?

      Desde que me entendo por gente, jamais acreditei na magia que muitas pessoas vêem no Natal. Obviamente, como criança carente que fui e criado sem a presença da figura paterna, mas por uma guerreira – minha mãe – que sempre fez questão de nos mostrar a verdade acima de tudo, fui moldado para um mundo onde prevalece a racionalidade. Por essa razão, as fantasias nunca permearam meus sentimentos, mesmo quando criança ou adolescente. É bem possível que toda essa racionalidade não me tenha feito bem, considerando-se que desde cedo tive que trabalhar duro, ajudando minha mãe, quando lavava roupas a semana inteira para garantir o nosso sustento. E apesar disso, tive muito tempo para as brincadeiras da infância, mas tudo que eu fantasiava nada tinha a ver com o presente, com o dado momento em que vivia; estava, geralmente, voltado para os sonhos que alimentava por um futuro menos doído e que fosse promissor. Em suma, para confirmar a realidade nua e crua que a vida me ensinou, o Natal tem sido um momento de apogeu para o comércio e para a indústria, visto que, nesse período, cria-se a ilusão de que é tempo de presentear, mesmo que as pessoas não entendam o significado disso e apenas busquem seguir uma tradição que lhes foi transmitida há séculos. Persistindo nessa ideia, não encontro nenhuma razão no fato de amigos e familiares se juntarem apenas no intuito de “cear” e beber como nunca os fizeram, como animais famintos, esquecendo-se, na maioria das vezes, do maior ensinamento do espírito natalino, que deve estar envolto da solidariedade, da busca pela paz, da busca pela compreensão, da luta para fazermos um mundo melhor a cada novo dia. Seria, pois, um momento de reflexão, de reunião de pessoas sensatas, naturalmente, comprometidas e sóbrias, almejando a harmonia que deve reinar no cerne da sociedade. E olha que há tantos por aí que, sequer, sabem quando farão a próxima ceia ou aonde irão poder pernoitar.

           Rodelas/BA, 25 de dezembro de 2011. 

                             Prof. Generino Gabriel

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