sábado, 17 de setembro de 2011

AMOR PLATÔNICO


És agora a estrela que não vejo
És o brilho infinito, mas obcuro
És mas não és o meu desejo
Busco, mas não buscas o meu ser
Quero, mas não me queres.

O que és afinal?
Um pássaro do qual
Não se ouve o canto,
Um rio que corre em silêncio,
Uma paixão ardente
Que me corrói, me arde
Mas, não se sente
(Talvez porque estás ausente)...

Ou seria que és simplesmente
O meu buscar
O meu querer
Ou ainda e apenas
O meu amor platônico?


Poema incluso no livro Segredos da solidão, pág. 62.
Escrito em Salvador/BA, 27 de agosto de 1999.

APESAR DE VOCÊ


 


Há um silêncio
Apesar de tantas vozes

Há uma dor
Apesar de tantas aparências

Há uma incerteza
Apesar de tanto carinho

Há um tormento
Apesar de você

Apesar de você
Há uma saudade

Há algo que nos machuca
Apesar da hipocrisia.

Poema escrito em dezembro de 1998.
GENERINO GABRIEL
Enviado por GENERINO GABRIEL em 03/12/2006

BREVE PARTIDA

               (À memória de Neuza, minha cunhada)

Tu nos deixaste subitamente
Nem posso acreditar ainda
E fico a perguntar ao Senhor:
Como cessar uma vida tão linda?

Nem podes imaginar
Como nosso riso anda triste
E com a tua breve partida
O carinho, o bem-querer inexiste.

E como é difícil
O mundo sem tua presença,
Sem a tua compreensão
Que te fez tão intensa!

Mas tu és para sempre...
Apesar do tempo e da distância
E estarás conosco presente
Em cada lição de esperança.

Escrito em 24/01/2004.
GENERINO GABRIEL

VALE A PENA VIVER?


Nem sabes, no meu viver momentâneo,
O quanto me sinto aflito
Balbucio palavras ou grito
Infortúnios atos humanos!
Multidões na luta pela sobrevivência
Poderosos abusando do poder
E aí fico me perguntando:
Vale a pena viver?

Muitas vezes me calo
Apenas meus olhos falam
Verdades deles exalam
Falsos heróis impressionam
Multidões já escaldadas,
Mas tentam um algo acreditar
E aí me pergunto:
Vale a pena esperar?

Viver vale a pena
Porém esperar me põe aflito
Enquanto preciso alçar-me ao infinito
Opondo-me àqueles para quem
A inércia preenche os seus dias...
Ah, isso me angustia!
Alimentar-me a alma, preciso
Ao menos, com a minha poesia.

OPOSTOS


 
Vês o céu, o firmamento
Por acaso, jamais existiriam
Nem mesmo por um momento...
E as águas puras, cristalinas
Que caem em cascata...
Ah, tudo isso tem explicação
E é teu, é meu...
E em tudo isso
Há a mão de Deus.
 
Vês as armas, as bombas
Os mísseis que sondam...
O sangue que jorra
As naves que rondam
Alimentando as guerras
Destruindo o ambiente
E a vida enterram...
 
É a mão do homem
Ser inconsequente
Exercitando "inteligência",
Fazendo-se satanás
Em forma de gente!
Destruindo o que Deus criou,
O que mais ninguém faz.
 
O homem ainda não percebeu
Que a sua inteligência é divina
À luz do soberano Senhor
Para exercê-la sem olhar a quem,
À semelhança do Criador
Que cria a vida, dela cuida
E a nutre com amor.
 
Rodelas/BA, 28 de novembro de 2001.
SOFRIMENTOS E RESIGNAÇÃO



Anos e anos e uma história
De sofrimento e resignação
Os séculos se passaram
O mundo se modernizou...
Mascararam nossa dor!

Feito “deuses” brincaram
Com a vida de pessoas...
Fomos cobaias em suas mãos
Enquanto lutávamos por dignidade
Em nome da nossa missão.

Vidas humanas
Nas mãos dos opressores
Não tinham nenhum valor...
Mais importante pareciam ser
O poder, o orgulho, a raça, a cor...

Séculos e séculos
De tanto sofrimento e resignação
O tempo se passou...
Nada mudou!
Mudou-se apenas a roupagem
Nas mãos do mesmo opressor.



Rodelas/BA, 15 de novembro de 2010

Prof. Generino Gabriel
DESUMANO



O homem, o vento
A vida...
Quão vago é o pensamento
O homem constrói
E ao mesmo tempo destrói...
Os laços, as relações
Como se a vida
Fosse mera existência
Ao invés de comunhão
Entre as nações.

O homem, ser imponente
Sequer imagina
Nem mesmo sente
Que num breve movimento
O vento varre, apaga
Qualquer monumento
Desfaz nossas pagadas
E devasta as estradas.

Rodelas/BA, 05 de novembro de 2004